quarta-feira, 11 de abril de 2012

O caso isolado da sociedade brasileira

Gangue de alunos aterrorizam menores em escola da capital. Usam sprays como lança-chamas para queimar os cabelos de colegas. Na mesma escola onde vigilantes e catorze professores estão afastados de suas respectivas funções por não poderem lidar com estes casos de polícia, uma professora salva de agressão uma criança de 7 anos. Sua recompensa: ser agredida pela mãe do aluno criminoso.


As autoridades ouvidas, conhecedoras do problema, agem como de costume: fazem sindicâncias para ouvir as partes. A diretora pedagógica da Secretaria Municipal da Educação, Eliane Meleti, disse que o caso em que uma professora defendeu um aluno de 7 anos contra a agressão de outro aluno mais velho, e que foi agredida pela mãe do aluno “violento”, é um caso isolado. Ver em Zero Hora de 10/04/2012:



http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a3722151.xml&template=3898.dwt&edition=19366§ion=1003

Pois essa professora deve ter visto milhares de casos isolados como esse.

O que não é um “caso isolado” é a derrotada pedagogia da violência, a pedagogia da burrice, a pedagogia do aluno analfabeto depois de 5 anos de escolarização. O que não é um “caso isolado” é a devastadora conseqüência de uma pedagogia 100% ideológica. Há vinte anos afundamos na educação freireana, a principal culpada deste estado calamitoso de coisas. É claro que a sociedade toda foi impactada por essa “pedagogia”. O comportamento criminoso da mãe comprova isso com facilidade.


A propósito, tal comportamento criminoso em prol do filho criminoso, a sociedade chama de “violência”. Isso não é coincidência. A mídia há muitos anos trocou a expressão crime (o que está capitulado no Código Penal em vigor) pela expressão violência. Pronto, estava apagada a denotação crime e implantada a regra social do politicamente correto que protege os “cidadãos”. Milagrosamente desapareceram os crimes e os criminosos. Curioso, a Escola em questão tem como lema “educar é proteger”.


 
E assim começou a “pacificação de bandidos e de alunos”, heróis modernos da sociedade brasileira acima de qualquer imputação. O caso escolar em pauta, o caso isolado da infeliz pedagoga, está destinado a ser esquecido e embrulhado para ser jogado na vala comum da indiferença e da incapacidade de reação dessa mesma sociedade.


Não há solução à vista. O Brasil não se recuperará mais com esse espírito de covardia e de submissão diante de “autoridades” que somente enxergam “casos isolados”. Isso é uma espécie de psicopatia que prima pela negação do óbvio, algo parecido com o que se passa na cabeça de um maníaco assassino, um serial killer que nada sente, que é totalmente indiferente à dor alheia. Até a negação como mecanismo de defesa, segundo a psiquiatria, tem limites. Não podemos negar a realidade dos comportamentos criminosos, assim como não podemos negar a realidade dos números: o Brasil afunda velozmente no item Educação. Batemos recordes de notas baixas, de mau aproveitamento. Os alunos brasileiros já estão incapazes de manter atenção nas escolas por mais de 15 minutos. A “rebeldia”, palavra também usada por pedagogos com muita freqüência, na verdade é uma reação de ódio, de egoísmo destrutivo; um sintoma gravíssimo de alienação pessoal, social.


A família brasileira (ou A NOVA FAMÍLIA BRASILEIRA, como a batizei), está em sintonia com esse egoísmo e com essa primitiva maneira de viver, ficou assim nos últimos vinte anos.


http://charleslondon.blogspot.com.br/2012/02/nova-familia-brasileira-nfb.html

Essa sociedade não conhece mais o mérito. Ela premia e “facilita” a vida de crianças e adultos. A função dessa sociedade é aplicar o preceito do Instituto Tavistock: “Mantenha-os indisciplinados, deseducados, desorganizados, confusos, distraídos, alienados, drogados, e obcecados por sexo”.


A confusão e a alienação a que essa sociedade chegou é um fruto previsível do que foi plantado no mundo há 60 anos, e no Brasil há vinte anos. A gangue escolar do Morro da Cruz não é um caso isolado infelizmente. É a própria existência da nossa sociedade. A pedagogia oficial e única no Brasil não é um caso isolado.





sábado, 7 de abril de 2012

VEM AÍ O CÓDIGO VENAL BRASILEIRO





 No ensejo das transformações absurdas que explicam porque os postes mijam nos cachorros, os criminosos presos recebem pensões do Estado (isto é, de nós), e os crimes de corrupção dos dois últimos governos ficam impunes, uma sociedade limitada (gemeinschaft) de notáveis socialistas – também conhecida como Comissão de Juristas – pensa modificar o Código Penal Brasileiro, acrescentando mudanças que bem poderiam constituir um novo Código, por mim chamado de Código Venal Brasileiro.




O Novo Mandamento, em substituição ao "antigo" e "ultrapassado" Código Penal, que representava a versão moderna da Justiça e do Direito consagrada pelos países mais desenvolvidos do mundo, representará os mais novos e ardentes anseios da Nova Família Brasileira (vejam a definição nos posts abaixo). A Justiça ficará finalmente democrática. A coisa toda prosperará, tenho certeza, e aqui já estou prevendo os próximos passos.



É evidente que a sociedade representada pelos juristas mais brilhantes do pensamento socialista brasileiro está consoante à Nova Família Brasileira. Ela, a sociedade maior – a gesselschaft –, não terá mais com que se preocupar. O peso da culpa será retirado de cima dos expoentes mais carentes dessa espécie de Justiça, também conhecidos pelo antigo nome de criminosos, segundo o Código Penal anterior. Em breve, nem se falará mais em prisões lotadas, nas condições deploráveis das cadeias da democracia brasileira, e na infestação da corrupção nas entranhas das instituições. As cadeias ficarão vazias de apenados pelo antigo Código Penal, e ficarão lotadas de vítimas dessa nova sociedade. A Nova Família Brasileira agora terá o Código Venal que merece e necessita.



O que se espera mesmo e o que se terá, é que o crime, como era entendido antigamente, será liberado. No capítulo que tratará de terrorismo, os Movimentos Sociais, categoria especial da dessa sociedade, terão tratamento diferenciado. Não serão chamados de terroristas porque receberão graduações e qualificações. Como dizem alguns amigos meus, serão criados dois terrorismos: o do Bem, e o do Mal. Os terroristas hediondos não serão mais assim chamados dependendo do desejo da judiciosa Comissão. Por exemplo, movimentos sociais que invadem propriedades e cometem crimes até contra a vida, não poderão ser chamados de terroristas. Não haverá crime de terrorismo no caso de conduta de pessoas movidas por propósitos sociais e reivindicatórios, “desde que objetivos e meios sejam compatíveis e adequados a sua finalidade”.


INCÊNDIO DO MST NA BAHIA


 Vá agora você constituir um grupo para defender-se destas invasões e você estará capitulado no Código Venal Brasileiro como um terrorista hediondo, anti-social.





O Novo Código Venal muito em breve poderá ser aplicado por Comissões de cidadãos desde que devidamente reconhecidos pelo Estado-Governo e que poderão aplicar as penas ainda por decidir. A Justiça do Novo Código Venal Brasileiro ganhará impressionante rapidez e será exemplar. Se alguém objetar que isso é muito parecido com um Tribunal Canguru chinês ou cubano, estará obviamente enquadrado. Com as prisões doravante vazias, qualquer cidadão recalcitrante estará até bem acomodado nelas. O Novo Código Venal Brasileiro pensou em tudo.



Lembrando o inesquecível Millôr Fernades: Cometa agora os crimes; não deixe para amanhã quando poderão estar proibidos. Que visão, hein? Como os “anistiados”, você poderá ganhar uma bolada. Vejam as perspectivas lucrativas que se abrem. Isso acabará com o desemprego. No futuro todos seremos funcionários públicos a serviço do regime.



No Título II, Capítulo das Impunidades, pouca coisa será mudada. Um grande avanço na revolução coletivista brasileira já fora conquistado pela a Justiça brasileira. Nos últimos 20 anos tem-se a impressão que a Impunidade, um reconhecimento final de que o crime compensa, veio para ficar. Vide o processo contra os mensaleiros. Eu a imagino como parte fundamental da Nova Família Brasileira. Imaginem os ganhos dos advogados e de tribunais auferidos com a dilação dos prazos, com os engavetamentos legais e com os embargos não constrangedores dos processos. Impunidade dá dinheiro. São peças integrantes essenciais a essa instituição da Impunidade. Agora mesmo, ainda sob a égide (que coisa ultrapassada essa palavra!) da velha Justiça e do vetusto Código Penal, o Senado Federal está paralisado pela falta de um presidente da Comissão de Ética. Ninguém se habilita, ou ninguém está à altura? Pois isso o código de Ética vai acabar; uma nova ética está a ser criada que acabará com esses constrangimentos. No final, e tendencialmente, sequer haverá imputação criminosa porque o próprio conceito de crime mudará. Isso não é um avanço social? A Impunidade é a verdadeira instituição.






Deverão ser criadas Ouvidorias Populares. Nelas qualquer cidadão identificado com o regime poderá ser ouvido. Isso não é fantástico? Vejam as possibilidades: qualquer cidadão será um juízo de primeira instância. Para que existir juízes togados e tribunais lentos e onerosos? Basta um telefonema e a Justiça revolucionária será feita. Não fique calado: denuncie! Finalmente o Bem e o Mal estarão nitidamente caracterizados. O Bem serão Eles (representados pela Comissão), o Mal somos Nós. Isso por enquanto, porque tudo poderá mudar; quem é Bem hoje, amanhã será Mal, e vice-versa. Demóstenes Torres será o próximo herói nacional.






Seja você mesmo o Procurador Geral da República, o Ouvidor Geral da República, o Informante Geral da República. O Novo Código Venal Brasileiro acabará com os nossos problemas – ele será uma espécie de quimioterapia jurídica que acaba com o tumor da corrupção e do crime nosso, mas também dá uma diminuída legal na população de “comedores inúteis”. Enfim um Código ad hoc, para não-comunistas.









segunda-feira, 2 de abril de 2012

MILLÔR, UM ESCRITOR SEM DIREITOS SOBRE LINHAS TORTAS





Agora é a hora do panegírico, do elogio, da apologia. Contra todas as estimativas Millôr Fernandes morreu com mais de 80 anos (como ele mesmo dizia: acima dos seus próprios recursos).



Da Bíblia do Caos, 1994


Aplauso – O aplauso é a minha pátria (Escrito em 1961. Hoje acho o aplauso uma bobagem).

Elogio – Me elogia, vai! Escreve um troço aí!/Não dói não!/ Faz de conta que morri!



MILLÔR É MORTAL


Isso se provou agora estes dias. Millôr morreu. Quanta gente chorando na sua cremação, e não era a fumaça nem cinza nos olhos não. Mas vejam o que ele mesmo escreveu na sua Bíblia do Caos sobre a morte (dos outros):


A Morte – Pensamento final de todo o mundo: Mas já? E por que eu? Por que pra sempre? (1994)


No caso do Millôr a morada agora é etérea, feita de fumaça, e pra sempre. Ele está agora no smoking-sky, muito acima do fumacê das armas permitidas aos bandidos pacificados, e dos apaziguadores do Rio de Janeiro. Aliás, como ele mesmo dizia:


 
Apaziguador é um cara que pensa que tratando com cuidado um rinoceronte ele um dia dá leite de vaca (1994). Sergio Cabral naquele tempo era apenas o filho do Sergio Cabral.


Millôr era um pacifista? Acho que era. Mas não destes que andam por aí pacificando bandidos.

Pacifista – Sempre fiquei fora da briga. Quando nasci a primeira guerra já tinha terminado. Na segunda eu já era muito cínico. (1994)



Reparem só: depois de um certo tempo todo pacifista já caminha em ritmo militar. (1994) Mas a Dilma marcha com as pernas abertas! Vocês já viram?


Millôr nos liderou, tem gente que disse isso. Mas Millôr era um líder? Coisíssima nenhuma. Millôr nunca liderou nada. Millôr era mortal e muito vivo: jamais sucumbiu à mosca azul da Academia Brasileira de Letras. Já pensaram o Millôr de fardão, lado a lado com o imortal Sir Ney? Millôr era apenas um pensador médio num país que pensa muito pouco, portanto fora da medida do grande intelectual Sir Ney.

Líder – Não liderou nada na vida a não ser o pequeno grupo que o levou à última morada. (1994).

Lula – Um líder aspirando cada vez mais pompa e tropeçando mais nas circunstâncias. (1994) Ou seriam nas sircumstanzias, Millôr?

Tão medíocre que nem no dia do próprio enterro conseguiu ser o centro das atrações (1994).


Não, este não é o Millôr. Para começar o Millôr não foi ao enterro dele. Explico, ele foi incinerado, que nem o Chico Anísio. E deixou órfãos e órfãs que não vão assombrá-lo com exames de DNA.


Millôr era um escritor e um humorista sóbrio. Há controvérsias, entretanto. Eu tenho dúvidas sobre essa agora propalada sobriedade, e olha que eu não precisei vasculhar muito o lixo para encontrar algumas garrafas de VAT 69 ou um Haig’s.


Sobriedade – Existe coisa mais sóbria do que uma garrafa de uísque lacrada? (1994)


Millôr nunca foi sóbrio, nem por isso abdicou do próprio ego. O que seria de nós sem o ego do Millôr? Sobraria apenas o Eu, a alma, mas até isso ele negava:

Ego – O Ego é uma máquina de enrustir. Ficar mexendo nele com a varinha da irresponsabilidade psicanalítica a fim de trazer à tona o lodo que deveria ficar sempre no fundo (lei hidráulica) é um crime imperdoável e irreparável. (1994). Isso me lembra duas coisas: psicanalistas lavando roupa suja, e a tal Comissão da Verdade. A única Comissão de Verdade do Congresso Nacional é a dos 15%, 20%, 30%.

Alma – Não possuo alma. Sou, como todo o mundo, uma alucinação holística e holográfica.


Millôr agora é memória. Que azar, logo em um país com memória tão curta que todo cidadão, como um verdadeiro Catão, ao acordar deveria repetir três vezes: mensalão, mensalão, mensalão. Por isso, até o Millôr desaparecerá um dia.

Memória (ou a falta dela) – O pior da velhice é você ainda conservar uma grande capacidade de conquista, levar mulheres para a cama com a maior desenvoltura, e não se lembrar pra quê. (1994)


E por favor, não me venham com aquela surrada: Millôr vive! Ou pior ainda: vem aí uma novela da Globo sobre o Millôr. Ele não merece!


E, por fim, as últimas do Millôr:

Quando eu morrer só acreditarei na sinceridade de uma homenagem – o agente funerário não cobrar o enterro (a cremação).

Meu epitáfio: Não contem mais comigo!

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